Energia reativa: o que o consumidor paga e não sabe

Veja como a correção do fator de potência pode reduzir a sua conta de energia
Fonte: Sérgio Vieira

A maioria dos consumidores não sabe, mas todos os meses as concessionárias de energia elétrica de todo o país cobram uma multa pela má utilização de energia elétrica. Essa multa refere-se à “energia reativa” que é gerada por equipamentos como motores mal dimensionados, máquinas de solda, transformadores, entre outros. A energia reativa não produz trabalho, mas é necessária para produzir o fluxo magnético para o funcionamento desses mesmos equipamentos. Mas, como ela ocupa espaço no sistema (que poderia ser usado pela energia ativa), as concessionárias têm o direito de cobrar essa “ineficiência” dos consumidores.

Nem todo mundo paga por essa energia reativa, tudo depende do interesse da concessionária. Boa parte dos consumidores residenciais, por exemplo, estão livres da cobrança. Mas, condomínios (residenciais ou comerciais), indústrias de pequeno, médio e grande porte, casas com alto padrão de conforto e estabelecimentos comerciais pagam uma “multa” todos os meses junto com a conta de consumo.

O nome desta “cobrança” muda de acordo com a distribuidora de energia, mas praticamente todas elas procuram nomear essa cobrança de tal forma que não fique claro ao consumidor o nome “multa”. Em São Paulo, a AES Eletropaulo classificou a cobrança de “energia reativa excedente”; A CPFL, que atende municípios do interior do Estado de São Paulo, deu o nome de “reativo excedente”; e no Rio de Janeiro, a Light batizou a cobrança como “encargo de capacidade emergencial”.

De acordo com José Gabino, representante da Abradee – Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica - a concessionária de energia elétrica deve orientar o consumidor de que está havendo um desperdício em seu estabelecimento. “Este pagamento pode ser evitado através de modificações nas instalações, por exemplo. A forma como as empresas fazem isto varia de empresa para empresa”, comenta ele.

Um estudo realizado por uma distribuidora no Paraná revelou que 85% dos consumidores industriais desconhecem esta cobrança, que é regulamentada pela Resolução 456 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), de 29 de novembro de 2000. A cobrança, entretanto, começou a ser realizada pelas distribuidoras a partir de 1994 (nota: a cobrança começou a ser realizada antes da criação da Aneel). Para resolver o problema, é preciso corrigir o fator de potência ou relação entre energia ativa e reativa. Esta relação está compreendida entre 0 (0%) e 1 (100%). Quanto mais próximo o fator estiver de 1, menor será o consumo de energia reativa.

Através da resolução 456, a Aneel determinou que clientes industriais tenham um fator de potência de, no mínimo, 0,92 (92%), ou seja, se o cliente tiver um fator de potência inferior a este valor deverá pagar multa que é calculada da seguinte forma: multa = valor da conta de eletricidade x (0,92 / fator de potência - 1). Por exemplo, se o fator de potência apurado em um determinado mês por uma indústria for de 0,85 (85%), ela pagará 8,235% de multa sobre o valor da conta de eletricidade.

Alguns consumidores que conseguiram livrar-se dessa multa imposta pelas distribuidoras, realizaram tal feito instalando banco de capacitores. “Em geral, em três ou cinco meses, já é possível ter o retorno do investimento com a redução na conta de energia”, comenta Mário Lorenzetti, um dos coordenadores do Grupo Técnico de Capacitores Industriais da Abinee – Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica.

Após resolvido o problema, o consumidor deve solicitar uma visita do técnico da concessionária que irá instalar um equipamento para medir a energia reativa gerada naquele estabelecimento. Depois de constatar que o fator de potência está acima de 92%, a concessionária é obrigada, já no mês seguinte, a retirar a cobrança da conta de energia.


Segundo o coordenador, a correção do fator de potência poderia aliviar o sistema elétrico nacional devido à redução da circulação de energia reativa. Também há uma melhoria no perfil de tensão e redução de perdas elétricas. A Abinee está solicitando à Aneel a correção do fator de potência para 0,95 para consumidores de baixa tensão. Este aumento representaria ganho de 3,25% na capacidade de distribuição e transmissão de energia elétrica. Os ganhos, segundo a entidade, equivalem aos mesmos trazidos pelo horário de verão todos os anos. O uso de medidores eletrônicos de energia pode mostrar para o usuário o seu percentual de energia reativa produzido. Este equipamento, entretanto, detém tecnologia de ponta e, dentro da relação custo/benefício das distribuidoras, somente é instalado em grandes consumidores de energia, mas, nada impede que qualquer consumidor procure soluções que o livrem desta “multa excedente”.
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9 comentários:

Evandro de P. Santos disse...

Algumas considerações a respeito deste artigo:
- As cocessionárias de energia não ganham com a cobrança do escedente reativo, o que ocorre é que as distribuidoras de energia perdem em eficiência energética pelo fato da energia reativa ocupar um espaço no sistema elétrico diminuindo a capacidade de distribuição de energia;
- A cobrança da energia reativa só é cobrada em situações que existe o medidor com capacidade de medir tal energia, fato que ocorre em empresas com faturamento em alta tensão. Hoje começa a acontecer a instalação de medidores eletrônicos em residências também, o que vai proporcionar a medição da energia reativa;
- Por fim, a cobrança da energia reativa é efetuada nos casos em que o consumidor está com o fator de potência abaixo de 92% e isso é acusado no medidor de energia.

Reinaldo Guerra disse...

vamos falar em cerveja, energia ativa cerveja, reativa espuma, capacitor filtro da espuma, ai é so ajuntar tudo. queremos cerveja, se chega espuma ocupa todo encanamento sem resultado, instalamos filtros e ...... abç´s Reinaldo Guerra.

Fabiano Kerber disse...

pessoal, tenho um caso estranho, pois a conta de energia deu 110,00 e a energia reativa tão cobrando 980,00 e me disseram que meu problema estava no capacitor instalado, retirei o capacitor testei e tudo esta ok com o equipamento e o consumo desta unidade é referente a uma única casa pois o restante das instalações estão desativadas e não esta instalado nenhum motor e isso começou a ocorrer após um poste de energia próximo ao contador cair.

WGR Ignitron disse...

Fabiano, verifique se o banco está desligando à noite. A maioria das concessionárias está cobrando pelo excesso de capacitor durante à noite.

Anônimo disse...

Vocês estão de parabens, é simplismente fantástico o modo como colocarão o assunto, muito bem explicado.

Anônimo disse...

Foi retirado vários motores da onde eu trabalho,mas o banco de capacitores permace os mesmos .pergunta excesso de capacitores não causam aumento da conta energia elétrica.

junior melo disse...

Excesso de capacitores causam aumento na conta sim

Anônimo disse...

como faço pra calcular um banco de capacitores através da conta de energia elétrica?? tenho uma padaria, e por causa da energia reativa to gastando muito, queria fazer esse cálculo pra saber a quantidade de capacitores que devo usar. obs tenho todas as contas desde ano.

WGR Ignitron disse...

Para calcular o total de kVAr necessário para corrigir o fator de potência é necessária uma medição com equipamento de medição apropriado. Através da conta de energia elétrica é possivel calcular um valor de kVAr médio mensal e, pela legislação atual, a concessionária cobra a multa pela média horária. Dessa forma é necessário medir o máximo de kVAr necessário durante o mês.

Durante a medição é preciso ligar todas as cargas, mesmo que os motores fiquem operando em vazio.

A WGR possui equipamento para medição que já mostra o kVAr necessário.

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